quinta-feira, 5 de janeiro de 2012


 
inventei boas lembranças
vivia feliz nesse mundo
do faz-de-conta
Alice no País das Maravilhas
e nosso porta-retrato
era a imagem da alegria

você cuidando de mim
lendo histórias de fadas e gigantes
levava na escola
auxiliava nas lições
comparecia às reuniões tão chatas

teríamos pequenas diversões
saborear sorvete de chocolate
algodão doce/maça do amor
andar de roda gigante
trem fantasma
e todos os medos fugiriam de mim
porque meu herói
me protegeria dos perigos da vida
até o fim

acordei
(triste realidade)
não gosto de parques
me cuido sozinha
e parei de fingir
tenho
secreto desejo
de ser tudo
em tua vida

sou
alvo
perfeito
dessa seta
envenenada
(de Cupido
atrevido)
que carregas
escondido
dentro
do paletó

quero
apenas
teu sorriso
enquanto
te realizo
em completa
nudez

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

em meio a fantasias
mergulhada em inventos
me permito viver
através de uma
simples intuição

percorro novos caminhos
e até cometo deslizes
que ninguém imaginaria

me oriento bem
dentro de labirintos
(com artimanhas de uma ladra)
escondida nos subsolos
dentro dos túneis mais escuros

como disfarce pinto o rosto
meio palhaço de circo
nessa farsa me transformo
(de acuada feito bicho)
em íntima amiga do erro
cúmplice da imperfeição

acredito em presságios
curas milagrosas
vidas passadas
pressentimentos
vivenciar cada momento
sem medo
longe de toda pressa

agora eu afirmo
se te olhar e me arrepiar
já sinto ser coisa do destino
daí pode apostar
- não vai prestar
Quando você olhou
e me tocou
de um jeito
educado
eu entendi

e não resisti

domingo, 1 de janeiro de 2012

Vulcão

debaixo da saia
carrego um vulcão
(que pode entrar
em erupção)
e perder o juízo
quando acende a paixão

e minha consciência
me abandona
na primeira esquina
largada
de pé no chão
atrás de pistas
queimando como fogo
farejando rastro

faz enlouquecer
abrir a blusa
não dá sossego
até sentir na pele
o corpo dele
para poder
no final
em seus braços
- adormecer